Inclusão social: Ônibus eficientes
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Hoje quando estava indo para o trabalho observei um fato bem interessante. Nunca tinha visto um ônibus eficiente funcionando. Dei sorte hoje.
O cobrador levanta, vai até a porta do meio. Meio desajeitado com os botões, demora um pouco para a plataforma descer. Eu observei atentamente tudo isso, desde como a plataforma funcionava, os movimentos mecânicos, prestei atenção na expressão do cobrador, do cadeirante, e das pessoas em volta. As pessoas parecem surpresas, em um misto de não entenderem como aquilo funciona e a surpresa de ‘isso realmente fuciona’. O cobrador mostra-se bem atento e cuidadoso. Mas no rosto do cadeirante, via-se só uma expressão: Satisfação.
E eu também fiquei satisfeito, pois vi um desejo de liberdade, de poder ir e vir, sendo realizado. Poder ir de um lugar a outro sem ter alguém cuidando de você, deve ser a liberdade mais cobiçada por essas pessoas.
Ter ônibus eficientes na rua não sai barato. Cadeirantes não pagam, e o equipamento é caro. Isso para mim é inclusão social. Diferente do governo que cria bolsa família, bolsa escola, bolsa camisinha, esse tipo de inclusão não é dar algo para pessoas, mas sim permitir que as pessoas realizem aquilo que desejam. Ao dar uma ‘bolsa’ para as pessoas está sendo criada uma situação de dependência. O cidadão acostuma-se com a esmola do governo.
O que deve ser feito é permitir e dar meios para que as pessoas se realizem.
Apesar de termos ônibus eficientes na cidade, a situação está longe da ideal. Outro dia havia um cadeirante na parada de ônibus, e o ônibus que veio não era equipado, então eu fui e ele ficou. Então acho justo que todos os ônibus tenham o equipamento de apoio a cadeirantes, já é difícil para quem pega ônibus, imagine quem espera o dobro, o triplo do tempo, aguardando um ônibus eficiente.
Tags: bolsa, inclusão, ônibus, social
Posted by Ivan Quirino under Inclusão Social | Permalink
“Ônibus Eficiente”. Taí um nome realmente “eficiente”. Bem mais recomendado do que o velho termo “adaptado para deficientes físicos”. Também já tive a oportunidade de vê-lo em ação. Na verdade foram duas vezes, uma com sucesso e outra, não. A primeira aconteceu exatamente como tu descreveu. Já a segunda, confesso que senti vergonha, mesmo sem ter culpa. Começou exatamente da mesma forma que a primeira, cobrador desajeitado, gente observando, mas nada da plataforma funcionar, movimentos mecânicos… Enfim, fracasso. O cadeirante tava lá, olhando e esperando, feliz por ter visto o ônibus “ideal” surgir e, logo logo, frustrado por não vê-lo funcionar. Nada mais ele podia fazer. O cobrador tentou por alguns minutos, percebi o motorista meio impaciente, talvez por conta do horário a cumprir. Finalmente o cobrador desistiu. Se tem uma coisa que eu não queria era estar na pele daquele cobrador. Percebi a cara de frustração dele, em ter a difícil tarefa de dar a noticia ao cadeirante, de que havia desistido e que a coisa não funcionava. Coçou a cabeça, olhou pra cima e deu o recado, o cadeirante ficou lá, o cobrador subiu e o ônibus partiu, mas sem levá-lo. Aí eu penso o seguinte: todos nós sabemos como as empresas de ônibus são mesquinhas. Então, provavelmente aquela adaptação toda só está ali por força de alguma lei, que deve especificar um percentual da frota que deve ter o sistema. Isso já é um custo para as empresas. O segundo custo seria o fato de que os portadores de necessidades especiais não pagarem passagem. O terceiro seria o da manutenção do equipamento, que eu aposto que os empresários não assumem. Portanto, é apenas questão de tempo para que todos deixem de funcionar e, aí, voltaremos para a estaca zero.